A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, anunciou nesta segunda-feira (16) que iniciou tratativas com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para a criação de um corredor humanitário no Estreito de Ormuz. A proposta visa garantir a exportação de petróleo e fertilizantes, mimetizando o modelo da Iniciativa de Cereais do Mar Negro, que permitiu o escoamento de grãos ucranianos durante a guerra contra a Rússia.
O pedido ocorre em meio ao bloqueio do estreito por forças iranianas, em retaliação à Operação Fúria Épica, ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel lançada em 28 de fevereiro. Segundo Kallas, a interrupção do tráfego na região é “extremamente perigosa”, com potencial para gerar não apenas uma crise energética na Ásia e na Europa, mas também um colapso na produção de alimentos no próximo ano devido à escassez de fertilizantes.
Alternativas navais e segurança regional
Enquanto a via diplomática via ONU é explorada, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE discutem em Bruxelas o reforço da presença militar na região para proteger a navegação comercial.
Missão Aspides: A UE avalia ampliar o mandato da atual missão no Mar Vermelho para que ela cubra também o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz.
Coalizão de Voluntários: Diante da urgência, alguns Estados-membros, liderados pela França, consideram a criação de uma força-tarefa específica e imediata para escoltar navios mercantes.
Posição sobre a Otan: Kallas ressaltou que, embora o interesse na reabertura seja global, o Estreito de Ormuz está fora da área de atuação formal da Otan, o que exige uma resposta liderada pela UE ou por coalizões voluntárias.
Contexto de escalada
A tensão no Golfo Pérsico atingiu níveis críticos após ataques aéreos norte-americanos destruírem instalações militares na Ilha Kharg. O presidente Donald Trump pressionou aliados neste domingo, afirmando que a Otan enfrentará consequências severas caso não ajude a desbloquear a via marítima. No entanto, o Irã mantém a postura de resistência, utilizando o controle de Ormuz como sua principal ferramenta de contra-ataque econômico.
A proposta de Kallas surge como uma tentativa de desescalar o conflito através de um acordo técnico-humanitário que possa ser aceito por Teerã e Washington, evitando que o preço do barril de petróleo, que já ultrapassou os US$ 105, continue a sufocar a economia mundial.
Fonte: https://newsrondonia.com.br/mundo/2026/03/17/ue-propoe-a-onu-acordo-para-exportacao-de-petroleo-pelo-estreito-de-ormuz/
